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12 abr
Lixo eletrônico é a denominação genérica para todo tipo de descarte de equipamento eletro-eletrônico. Com o aumento contínuo na produção e consumo de eletrônicos, a quantidade desse tipo de lixo gerado a cada ano torna-se um problema cada vez maior. O lixo eletrônico não pode ser descartado junto com o lixo comum: o grande número de elementos tóxicos pode contaminar o meio-ambiente. Além disso, qualquer eletrônico é por definição um objeto recheado de conhecimento aplicado, e muitas vezes descartá-lo é desperdiçar esse conhecimento.
O problema do Lixo Eletrônico começa com a produção e o consumo. Com o auxílio da mídia especializada, a indústria de eletroeletônicos se esforça para criar a ilusão de obsolescência – convencer as pessoas de que precisam trocar seus computadores, celulares, câmeras e outros equipamentos em períodos cada vez mais curtos. Além disso, a indústria também adota práticas predatórias no processo produtivo – mão de obra precária, uso de matérias-primas extraídas sem levar em conta os impactos social e ambiental, entre outras. Por outro lado, as pessoas comuns, que em última instância têm a grande possibilidade de mudança desse cenário – é delas o poder de compra – ignoram a gravidade da situação e continuam acelerando o ritmo de consumo, sem pensar no que acontece com seus equipamentos daqui a poucos anos.
No âmbito da produção e do consumo, existem algumas medidas que se pode tomar para amenizar a situação. A primeira delas é o consumo consciente. O Greenpeace publica várias vezes ao ano seu “Guide to greener electronics”, que monitora as práticas das maiores empresas de eletrônicos. É uma boa ferramenta para saber como as fabricantes se comportam. Outra medida importante é a extensão da vida útil dos eletrônicos, através do reuso. Por exemplo, um computador de dez anos atrás ainda pode ser usado como servidor de rede, armazenamento ou impressão. O software livre, com a flexibilidade que lhe é inerente, pode ajudar bastante nesse sentido. A terceira maneira de reduzir os danos do lixo eletrônico é buscar um descarte responsável: em vez de jogar os eletrônicos no lixo, procurar projetos sociais e educacionais que façam uso deles, ou então empresas que realizem a remanufatura ou reciclagem dos equipamentos.
Em paralelo com a atuação da rede MetaReciclagem, chegamos a desenvolver um modelo de reaproveitamento de eletrônicos com fins sociais. Nunca chegamos a implementar o modelo plenamente (nossa natureza é mais experimental), mas ele consiste idealmente de três partes. A primeira é uma camada de intermediação e logística distribuída: um ambiente online onde as pessoas e empresas possam cadastrar os equipamentos que têm para doar, e uma rede de interessados poder se prontificar a receber as doações ou transportá-las para outras pessoas ou projetos. A segunda parte é uma rede de empreendimentos sociais auto-geridos. Priorizar esses empreendimentos em vez de grandes empresas também vai no sentido de promover transformação social e a geração de arranjos econômicos locais e descentralizados. A terceira parte são práticas de triagem e remanufatura, compartilhadas em rede e apropriáveis por todas as partes envolvidas. Idealmente, esse processo otimiza o uso de eletrônicos, aproveitando-os ao máximo antes do envio para a reciclagem.
A reciclagem é o processo de separar os elementos que compõem o lixo eletrônico e reinseri-los no ciclo produtivo. Em todo o mundo, a reciclagem de eletrônicos é um mercado em franco crescimento. No Brasil, que ainda não aprovou a política de resíduos sólidos, o mercado conta com uma grande informalidade. Infelizmente, grande parte das empresas que atuam na reciclagem de eletrônicos não observam normas de segurança do trabalho e de descarte de resíduos químicos. Algumas utilizam mão de obra de adolescentes, sem proteção contra os elementos tóxicos, e ainda por cima se limitam a triturar o lixo e enviar para a China, onde ele vai ser reciclado por mão de obra precária e também sem levar em conta o impacto ambiental e social. Outro fenômeno associado à falta de regulamentação do setor é a chamada mineração urbana: pessoas que sobrevivem de procurar lixo eletrônico nos lixões e ruas de grandes cidades, e revendem para esse mercado negro. Ainda temos um longo caminho a percorrer nesse assunto, principalmente no Brasil. A primeira medida nesse sentido é a aprovação da política nacional de resíduos sólidos. O projeto em andamento no congresso trata o lixo eletrônico como resíduo reverso – responsabiliza o fabricante pelo manejo dos descartes antes da disposição final. O projeto brasileiro recebe elogios em todo o mundo, mas ainda não foi aprovado. É necessário mobilizar a opinião pública para esse problema, e acelerar a aprovação da política de resíduos sólidos.
Felipe Fonseca é pesquisador e articulador de projetos relacionados com produção colaborativa, mídia independente, software livre e apropriação crítica de tecnologia. Trabalha com o Weblab criando redes colaborativas online. Faz parte da rede MetaReciclagem e escreve nos blogs http://lixoeletronico.org e http://efeefe.no-ip.org .
Este texto faz parte do livro “Para entender a Internet”, organizado colaborativamente na Campus Party 2009.
Para ler todos os textos da obra, acesse: http://paraentenderainternet.blogspot.com/
9 abr
Música de abertura da última novela das oito da rede Globo, A Favorita (Pra bailar, do grupo argentino Bajofondo). Shows lotados no Memorial América Latina e em outras importantes casas de espetáculo da cidade. O tango definitivamente é a bola da vez em São Paulo. Sendo assim, nada mais apropriado que um congresso sobre a dança para consolidar tudo.
O 1º Congresso de Tango São Paulo, que acontece na Academia Tango B’Aires, no bairro da Vila Mariana, vai durar quatro dias: começa hoje, dia 2, e vai até o próximo domingo, 5 de abril.
No Congresso os participantes poderão dançar – claro! -, além de assistir a palestras, participar de debates, workshops e bailes-shows, tudo com a presença de professores, escritores, sociólogos e dançarinos profissionais.
As inscrições, que dão direito a todo o congresso (o que inclui dez aulas, quatro bailes e três palestras), custam R$ 660. Informações são fornecidas no site oficial: www.congressotangosaopaulo.com.br.
Hoje, celebrando o primeiro dia do Congresso, haverá um coquetel com direito a taça de espumante e empanadas argentinas. Todas as atividades vão acontecer em dois amplos salões, com assoalho de madeira trabalhada especialmente para a dança, tudo para dar o melhor clima ao ambiente que promete lembrar as famosas academias portenhas.
Tradição
Dentre as atrações internacionais do Congresso, vale destacar o casal argentino de dançarinos Nito & Elba. Reconhecidos internacionalmente pela característica de manter viva a essência do “tango salão”, o casal é um dos poucos remanescentes da chamada “época dourada” do tango.
Outra atração aguardada é a palestra de Benzecry Sabá, bailarino argentino autor do Glosario del Tango Danza e professor de tango em uma das mais importantes milongas de Buenos Aires, o Salão Canning. Sua palestra promete contar a história do Tango em aulas práticas e teóricas – além de uma aula extra sobre o “Abraço na Dança”.
Se a “febre” do tango em São Paulo é nuvem passageira só o tempo vai dizer, mas que ela chegou e não pára de crescer, isso fica difícil discordar.
1° Congresso de Tango
Rua Amâncio de Carvalho, 23, Vila Mariana
Informações: Tel. (11) 5575 6646
Site: www.congressotangosaopaulo.com.br
Fabiano Rampazzo (Portal Terra)
7 abr
Vida pública na privada
O escândalo que envolve a empreiteira Camargo Corrêa, e simboliza os vícios que nascem nas campanhas eleitorais e se propagam através da corrupção por todas as esferas do poder público, representa essa oportunidade. Mas os jornais preferem entrar no jogo partidário em vez de assumir a grandeza do papel que a sociedade espera deles.
Como disse o poeta Vinícius de Moraes, o ser humano precisa encarar o problema das colocações morais e estéticas. No caso do Brasil contemporâneo, que tenta se consolidar como democracia, o desafio é fazer escolhas morais e éticas nos negócios públicos. A tarefa se cumpre diariamente, nas decisões de cada cidadão, mas eventualmente a História apresenta oportunidades para mudanças mais amplas e profundas em toda a sociedade.
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5 abr
Para ele, um projeto dessa natureza teria sentido em qualquer lugar. “Inicialmente pensamos em buscar um terreno aqui na capital, onde nascemos e moramos. Mas diante das imensas dificuldades de encontrar esse terreno na cidade de São Paulo, partimos da Zona Oeste onde moramos em direção as cidades próximas”.
+ Ver Entrevista completa de Nando Reis concedida a Fernanda Dearo
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